domingo, 5 de julho de 2009

E a Aventura Tem Início.

Tentei lembrar da minha primeira aventura. Afinal é essa à ideia principal do blog, contar minhas aventuras.
Morava em São Paulo numa casa enorme junto com meus avós, quatro tios e uma tia. Tínhamos ido ao Playcenter. Me recordo de pedir pra andar numa moto. Aqueles brinquedos que se coloca uma ficha e ele só fica balançando. Sentado naquela supercross mexendo pra frente e pra trás... essa foi minha primeira aventura. Minha tia tinha ido numa balança, que aos meus olhos era gigantesco. Fiquei doido para ir, mas não me deixaram. Então vi a montanha russa Super Jet. Meus olhos brilharam. Queria ir de qualquer jeito, mas novamente não me deixaram. Será devido a minha idade de pouco mais de três anos? Depois só lembro de me colocarem no carrossel e eu incrivelmente frustrado. Acho que notaram que estava entediado e me deram aquela tradicional bola gigante e colorida.
No dia seguinte era vôlei com a bola gigante no meio da sala de estar com meu irmãozinho que tinha pouco mais de um ano. A bem dita bola tinha que ir justamente num vaso no alto da estante? Tinha! O vaso caiu e partiu em milhões de pedaços. Escutei meu avô berrando e vi ele bufando, vindo em minha direção e tirando o cinto das calças. Corri feito doido até a copa onde minha mãe estava e me agarrei nela fazendo-a de meu escudo. Não adiantou nada. Levei varias cintadas na bunda e em tudo mais onde não conseguia enxergar sem auxílio de um espelho. Apesar dessa atitude, meu avô me conquistava quando ele me levava para passear no centro da cidade escondido da minha mãe e da minha avó. Conquistava meu carinho quando construía uns brinquedos na marcenaria dele no andar inferior.
Desde então, nessa casa, vivia aprontando. Desde tombos com meu super triciclo turbinado, até um sério acidente em que cai rolando escada abaixo, que me faz sangrar o nariz até os dias de hoje. Minha avó tinha uma receita infalível pra parar o sangramento. Ficar puxando os cabelos perto da nuca eeeeeee... olhar para o teto por cinco minutos.

Em busca de novas aventuras, nos mudamos para Praia Grande na Baixada Santista e lembro de chegar tarde da noite. Uma casa com um quintal cimentado enorme e um pequeno jardim com um pé de bananeira. Tomamos banho gelado, pois não tinha chuveiro naquelas horas da noite. Os hipermercados 24 horas só surgiriam anos mais tarde. Neste quintal enorme (lotado de carros dos parentes nas altas temporadas) que aprendi a andar de bicicleta e de patíns.
Meus pais nunca foram de conversar comigo. Nem como pais, nem como amigos. Para se ter uma ideia, as vezes tenho trauma de lugares novos.
Calma que eu explico.

Num belo dia, minha mãe me manda tomar banho e colocar umas roupas novas. Logo pensei que era para um passeio ou algo assim. Então chega buzinando uma Kombi azul que tinha algumas crianças dentro.
_Nossa!!! Que legal!!! Vamos passear!!! Onde será que vai?
Entro correndo e a porta se fecha atrás de mim. Cadê a minha mãe? Ela não entrou. Gritei para abrirem a porta. Comecei a bater no vidro e a gritar por socorro. Minha mãe do outro lado do vidro sorriu. Sei que não foi um sorriso de deboche, mas ainda me lembro muito bem daquela situação. Tinha 4 anos e estava indo para o "prézinho". Meu primeiro dia de aula, eu só sabia perguntar pela minha mãe. Essa foi minha primeira aventura longe de alguém da minha família. Com o tempo, como deveria de ser, fui me acostumando e comecei a conversar e fazer amizades. As vezes as crianças e as "tias" me olhavam torto. Eu misturava tudo na hora de falar. Mistura japonês com português e isso me atrapalhava as vezes o que tornavam as coisas engraçadas depois.

Depois de um tempo, nos mudamos novamente e dessa vez para Jundiapeba. Um pequeno distrito do Município de Mogi das Cruzes, mas sempre indo para São Paulo visitar os parentes. Fui sortudo, pois tive mais de um pai e mais de uma mãe. Primas que são como irmãs.
Meu pai tinha uma chácara nesse distrito. Doce tempo em que brincava no mato , no lago e na terra. Minha mãe não falava nada quando meu irmão e eu voltávamos pra casa todo imundo de terra. Não tinha muito o que falar. Quando íamos para a chácara, voltávamos imundos, se ficássemos em casa voltávamos todo ralado da rua isso quando eu não ficava com o dedão do pé sangrando. Andar de skate descalço não é recomendável. Era ruim também ter de usar calça comprida e tênis para ir a escola quando estava todo machucado. Com seis anos entrei no primeiro ano do primário e com nove anos comecei a ir na escola japonesa também.
Um dia estava andando de bicicleta pela chácara, um dos empregados do meu pai queria me mostrar novos lugares. Fomos num lugar longe onde tinha uma tubulação de aço enorme, cerca de dois metros de diâmetro. O empregado me pediu para ir atrás do tubo pra ver algo. Ele segurou em meu braço e começou a se esfregar em mim. Tirou o pênis e falou pra mim chupar que era gostoso. Eu tinha oito anos e não entendia o sentido daquilo, mas senti que tinha algo errado e escapei dele, peguei a bicicleta e voltei para chácara o mais rápido que pude. Talvez por sorte, o peso lhe veio à mente e ele me deixou ir embora. Este é outro fato que ninguém sabe. No dia seguinte ele tentou roubar meu pai, mas não conseguiu. Fugiu e nunca mais soubemos dele.
Em Jundiapeba também fui a um circo pela primeira vez e assisti um show da Mara Maravilha. Aprendi usar estilingue, montar uma arapuca, caçar rã, fazer e empinar pipa, comer frutas silvestres direto do pé e "furar" o trem. Passear sem pagar a passagem definitivamente era uma aventura para uma criança. Na escola tive redações (com muitos erros ortográficos) e desenhos escolhidos para exibições em varias ocasiões. Tive um bom professor de educação física que mostrou o atletismo e demais esportes coletivos. Nos ensinou as regras do jogo para a vida.
E nesta terra magica em que estava crescendo, sem mais nem menos, fiquei doente. Começou com um apêndice e tempos depois não conseguia andar. Até hoje não sei o que eu tive. Desmaiava e perdia a memória com frequência.
Mudamos de volta para São Paulo com meus avós e minha tia. Meus tios estavam todos no Japão. Depois de muitos hospitais, médicos, remédios e injeções, voltei a andar. Depois de quase dois anos na batalha, voltei a ir pra escola, mas desta vez meu pai tinha ido ao Japão. Foi uma época difícil. Eu estava voltando à sociedade sem um pai. Continuei a ter desenhos e redações escolhidos, ainda não sei a razão, já que erro demais na gramática. Talvez por ter o que contar. Eu tinha enciclopédias a vontade enquanto estive doente. Juntando as que eu tinha, mais com as da minha tia, montamos uma biblioteca formidável. Foi a época em que comecei a gostar da aviação militar e queria ser piloto de caça.
Fui crescendo e a moda do skate estava no auge, depois vieram as montain bikes e logo depois foi a vez do patins in line. Não podemos esquecer também dos vídeo games. Nintendo e Sega reinavam. Os brinquedos da Estrela eram imbatíveis.
Tive inúmeras aventuras nessa época sempre acompanhado de bons amigos e amigas, que num outro dia escreverei.
Já chega por hoje.

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