quinta-feira, 2 de julho de 2009

Aventura Amorosa ou Quase II.

Como a vida é mesmo interessante.
Como é que um simples momento, fica na memória de uma maneira tão forte?

Estava num namoro meio complicado. Daqueles que você termina e depois de um tempo, volta a namorar sem perceber.
Estava namorando com a Taty. (Como à conheci e o quê aconteceu eu conto depois, num outro dia).
Até então eramos um casal de namorados comum que saía com um outro casal também comum. Vou chamar ele de "M" e ela de "P".
Nós quatro nos tornamos grandes amigos. Mas como nem tudo é flores. Os dois namoros haviam terminado.
O "M" tinha voltado para a ex-namorada "G", que terminou e voltou varias vezes, que no meio do caminho namoraram outras pessoas, e até onde sei, o "M" e a "G", apesar dos pesares, se casaram, mas já se separaram. Hoje, "M" voltou com a "P" e a "G" está namorando meu primo...(Entendeu? Não! Nem eu!)
Taty, a "P" e eu, nôs tornamos o trio parada dura.
Saíamos para vários lugares e experimentamos muita coisa. Desde uma bebida diferente até uma erva danada. Cada loucura!!! Então a Taty e a "P" se tornaram A melhor amiga uma da outra, cada uma chorando pra outra as suas mágoas pelo namoro terminado. Coitada da "P". Ela ouvia as minhas mágoas também. Era estranho. Como que ex-namorados poderiam agora sair para as baladas como amigos?
Eu estava cursando edificações e a "P" prótese dentária.
Bom... numa noite, não tinha ido estudar (Cabulei. Fazer o quê? Sou humano.) e fui buscar a "P" no curso dela. Falei pra ela:
_Vamos dar uma volta. Quero te levar as alturas e faze-la ver o céu e as estrelas.

Ela aceitou a proposta e cabulou também.
Levei ela até o estacionamento do Shopping D, no ultimo andar, a céu aberto, a sei lá quantos metros de altura. Só sei que é bem alto.
Como prometido, tinha levado as alturas, mostrado o céu, mas nenhuma estrela. Estava nublado.
Pelo menos dava para ver parte da cidade de São Paulo com seus incontáveis pontos de luz ao horizonte e o belíssimo Rio Tiête (belíssimo somente numa noite totalmente nublada, quando não é possível ver e nem sentir a poluição do rio). Tinha uma vista privilegiada das janelas de algumas salas de aulas, inclusive de uma sala na qual eu deveria estar e do bosque da escola com um casal sentado no banquinho, ali no escurinho. Ahhh se esse bosque falasse... eu taparia a boca dela, pois tem algumas historias minhas lá. Mas que saudade do pessoal da Federal. Tivemos varias e boas aventuras que um dia ainda escrevo aqui.
É... bem... voltando as alturas do Shopping D... ,nós estávamos abraçados,. Veio uma sensação do tipo: "que besteira você está fazendo?" Me separei dela e segurando em sua mão, subi no para-peito, que era um muro de um metro de altura e separava o estacionamento da morte na grama lá no chão. Comecei a caminhar pelo muro. Olhar para o chão daquela altura e daquele jeito era ao mesmo tempo estúpido e excitante. Era uma gostosa loucura, digamos... saudável (saudável se você não virar pizza lá embaixo). Depois de caminhar alguns metros, me desequilibrei e desci ao mesmo tempo que ela me puxava.
Aquilo foi DEMAIS!!! Então ela pediu pra ir também. Fiquei admirado com a loucura e coragem dela.
Ela caminhou alguns metros, desceu e disse:
_Viu! Eu andei mais que você!
Eu com minha masculinidade ofendida falei:
_Ah é!....

Quando peguei o impulso para subir, ela com suas duas mãos, segurou forte a minha, não me deixando subir e olhou nos meus olhos com um doce sorriso. Aquele olhar.... CAAAAARA!!! Aqueles olhos!!! Naquele rostinho!!! O tempo parou por um momento. Então ela se afastou de mim.
Eu disse:
_ "P", estou me sentindo o pior cara do mundo! O pior cachorro que um homem poderia ser!
Ela disse:
_ Eu também estou me sentindo uma cachorra!
Então nos abraçamos forte. Nossas cabeças se movimentavam por instinto. Nossos rostos se tocaram. Senti a doce macies de sua face e nossos lábios se encontraram.








No mesmo momento que nossos lábios se tocaram, eles se separaram. Como se fosse um choque elétrico com milhões de gigawatts.
Era um conflito em minha mente entre o irracional e o racional. O duelo entre beijar a "P" e respeitar a Taty. A gerra entre o desejo e o acatamento.
E nesse instante ficamos em silêncio. Os segundos viraram uma eternidade. O que fazer? O que dizer naquele momento tão critico?
De repente, quebrando o silêncio, um segurança do shopping apareceu e pediu para sairmos de lá, que o estacionamento estava fechado e não podíamos permanecer no local.
Fomos embora.
Dentro do carro, somente o som da música e nenhum "piu" da gente.
Estávamos muito desconfortável com a situação.
Não sei oque deu na cabeça da gente, mas fomos para a casa da Taty.

Entramos e cumprimentamos toda a família dela.

Conversei em particular com a Dona Maria, minha ex-sogra. Conversa vai e conversa vem, me sentindo muito mal com tudo aquilo, acabei confessando o beijo. Ela não me reprimiu, afinal a Taty e eu, não estávamos namorando.
Aliviado, saí para fora e me sentei num degrau da escada junto ao Tado, meu ex-cunhado, e ficamos papeando. Enquanto a "P" estava lá dentro, sabe-se lá, fazendo oque?
De repente a Taty sai pela porta e veio chorando na minha direção e me deu um tapa que até hoje eu escuto o som e sinto o ardor na pele.
O Tado ficou indignado com a Taty, mas eu estava indignado comigo mesmo. Sabia que merecia aquilo e muito mais.
Sai da casa dela cabisbaixo, com os olhos úmidos, escutando ela gritando pra eu sair dali e que nunca mais queria ver a minha cara novamente.

Depois daquilo, a "P" e a Taty evitavam de falar comigo.
Até que um dia a Taty me ligou e disse pra ir lá na casa dela, que queria falar comigo pessoalmente.
Fui lá e conversamos na calçada, em frente à casa dela. Na verdade ela falou e eu escutava. Não tinha o quê eu poderia falar. Nada que eu falasse justificaria meu erro. Ela estava me pedindo desculpa pelo tapa, porque não estávamos namorando e eu podia beijar quem eu quiser, mas que queria tentar ser uma amiga e não estranhasse se algum dia disse-se que nunca mais me viria de novo. Nessa hora a "P" tinha chegado num carro com o irmão dela. Ela me cumprimentou de longe. A Taty me disse tchau e entrou no carro da "P" e sumiram no meio da noite.
Senti que estava perdendo minhas duas melhores amigas no planeta. Estava péssimo. Sentimentos de abandono e raiva da minha burrice me inundavam. Tive vontade de chorar, mas não chorei.

Voltei pra minha casa. Tentei dormir e ali naquele momento, no meu travesseiro, chorei todas as lágrimas contidas.


Então estive com outras mulheres e nesse meu caminho, entre as ficadas e alguns namoros, a Taty sempre esteve presente. Voltamos e terminamos varias vezes. E num belo dia ela engravidou. Casamos e tivemos a mais linda, a mais maravilhosa, a mais melhor do bom, a mais espetacular e maravilhosa filha do mundo.
Hoje estamos separados. Separados pelo mundo. À vinte e quatro horas de vôo. À cinco dias de carta. À alguns segundos de internet/telefone e à alguns instantes de pensamentos.

Por uns anos, nós não vimos mais a "P".


Como a vida é mesmo interessante.
Nunca vou me esquecer do beijo mais rápido da minha vida, mas para sempre em minha memória.
Estou com saudades da sua loucura. Da sua alegria de viver. Do seu doce e sincero sorriso. Onde quer que você esteja, torço para que esteja bem e feliz.

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