domingo, 5 de julho de 2009

Aventuras Amorosas ou Quase IV.

Gostava muito do meu carro. Tinha muito orgulho em dizer que meu possante era um vermelho importado da Itália.
Pensou que era uma Ferrari?
Bom... era um Fiat Tipo SLX 2.0 com muitos opcionais.
Numa noite, eu e meus amigos dando um rolê sem ter nada pra fazer, juntamos numa vaquinha um pouco de dinheiro para comprar uns gorós. Paramos num posto de gasolina que ficava aberto 24 horas e compramos algumas garrafas de bebida.
Agora só faltava um lugar legal para ir.
Entrando na primeira rua vimos que estava acontecendo uma festa numa casa e logo mandei ficarem de olho pra ver se tinha algum conhecido.
Bingo!!!
Realmente tinha uns caras conhecidos.
Invadimos a festa. Era de uma menina que estava fazendo aniversário de 15 anos.
O som tocava alto e o auge do sucesso daquele momento era os grupos É o Tchan e Terra Samba que tocavam sem parar.
As meninas todas ali dançando e eu tinha conseguido copos para então abrirmos as nossas garrafas. A bebida estava quente. Precisávamos de gelo, a opinião era unânime. Girei o meu braço e peguei na mão da primeira menina que estava dançando atrás de mim. Sem olhar quem era, perguntei:
_Você conhece a dona da festa?
Ela balançou a cabeça positivamente.
_Então vem comigo na cozinha que eu preciso de gelo.
Puxando-a pela mão, fomos até o freezer, peguei o gelo e coloquei no copo. Continuei conversando com ela normalmente como se tudo aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Ela um tanto assustada. Afinal não é todos os dias que um "penetra japonês cabeludo desconhecido", te arrasta do meio da pista de dança até a cozinha para roubar gelo.
Com toda minha cara-de-pau, fiquei flertando com a minha já amiga.
Ao amanhecer, nos despedimos e cada um foi para sua casa sem ao menos dizermos os nossos nomes, até que nos encontramos numa outra festa.
Dessa vez, eu não era um penetra. Meu amigo Régis estava comemorando seu aniversário... de sei lá quantos anos de idade. Se eu tinha 20 anos, acho q ele tinha uns 18.
Pra variar um pouquinho, fiquei bêbado. Não lembro de muita coisa, mas me recordo de tentar separar uma briga entre mãe e filha no meio da rua. Na verdade eu estava apanhando ali no meio e todos os meus amigos rindo de mim. Um bêbado levando sopapos de uma senhora deve ser muito cômico. Aparentemente a mãe não havia permitido à filha de ir a festa.
Nesse dia, conversei muito com minha amiga do gelo. Me lembro de ter vomitado no chão entre as pernas. Seu nome era Taty. Nome que nenhuma bebida do mundo será capaz de apagar da minha memória.
Ela morava uma rua abaixo de mim e eu nem sabia. Conhecia todas as pessoas daquela rua e não sabia que uma nova moradora havia chegado.
Começamos a sair. Trocamos intimidades. Ficamos amigos e numa noite na calçada em frente da casa do meu vizinho, nos beijamos.
Um namoro estava começando.
Passeamos, viajamos, nos divertimos. Foi tudo muito mágico, mas como em todos os relacionamentos, tivemos nossos altos e baixos. Da magia para um namoro de muita instabilidade. Eramos jovens e tinhamos tudo oquê viver pela frente com todos os nossos erros e acertos. Terminamos e reatamos o namoro varias vezes. "Fiquei" outras mulheres nesse período de vai e vem, até que um dia a Taty engravidou. Qual a razão do homem ter uma cabeça que pensa mais do que a outra? E qual a razão da mulher ter a falta de uma cabeça para não cometer certas irracionalidades. A resposta está nos instintos animais para a procriação, preservação e domínio da espécie humana.
Somente estudávamos e agora tinha um bebê a caminho. O mundo parecia ter se tornado incrivelmente assustador.
Resolvemos nos casar.
Acompanhei de perto toda a gravidez.
A aventura de uma nova vida.
A filha mais linda havia chegado ao mundo.

Muita coisa aconteceu desde então e teria que recontar alguma das histórias dos meus primeiros posts aqui do blog.
Mas basta dizer que hoje, depois de muita luta para tentar realizar um sonho, nos separamos.
Ela quebrou a confiança que sentia. Qual à razão da mentira?
Não sei ela, mas com certeza ainda me sinto muito só, mesmo depois de ter namorado outras mulheres.
Como poderia alguém viver após seus sonhos desmoronarem?
Como pode um homem viver sem um sonho?
Como poderia recuperar a confiança que sentia por você?

Meu sonho era voltar a morar na praia. Algum comércio para nos sustentar. Uma bela casa em algum lugar com vista para o mar tendo minha esposa e filha ao meu lado. Com minha família ao meu lado. Com as pessoas que amo ao meu lado.

Como pode um homem viver sem um sonho?
Como pode um homem viver sem um objetivo?


Qual outra mulher poderia me fazer sonhar novamente?

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